Rice pede ação urgente do Paquistão sobre ataques na Índia

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse nesta quarta-feira, em visita à Índia, que o Paquistão deve agir "com urgência" para prender e levar à Justiça os responsáveis pelos ataques realizados em Mumbai na semana passada.


Rice afirmou que o Paquistão precisa agir 'com urgência'

"Este é um momento em que especialmente o Paquistão deve fazer isso", disse Rice a jornalistas em Nova Déli, depois de uma reunião com o ministro do Exterior indiano, Pranab Mukherjee.

"O Paquistão precisa agir decididamente e com urgência, cooperar totalmente e de forma transparente. A mensagem foi entregue e será entregue ao Paquistão, mas este é um momento de cooperação entre todos os povos que sofrem estes ataques terroristas", afirmou.

Rice está visitando Nova Déli nesta quarta-feira e espera diminuir a tensão entre Índia e Paquistão, que aumentou desde os ataques simultâneos realizados contra a capital financeira da Índia na semana passada, que deixaram 188 mortos, entre eles 22 estrangeiros, e mais de 200 feridos.

Nos últimos dias, autoridades indianas têm afirmado repetidas vezes que há provas de que os militantes por trás dos ataques tinham ligações com o Paquistão. O governo de Islamabad nega qualquer envolvimento nos ataques.

Visita ao Paquistão

Ainda não foram anunciados planos para uma visita de Rice ao Paquistão e ainda não se sabe se a secretária de Estado americana irá a Mumbai.

Mas o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos, o almirante Michael Mullen, chegou a Islamabad para uma reunião com o governo e militares do Paquistão.

Os partidos políticos do Paquistão se uniram para assinar uma resolução afirmando que o país também sente o pesar dos indianos depois dos ataques em Mumbai e abomina a violência contra inocentes.

Mas os partidos também afirmaram que são contra o que eles afirmam ser "acusações não comprovadas feitas às pressas contra o Paquistão".

O ministro do Exterior indiano afirmou que a Índia não está analisando uma resposta militar mas, se o Paquistão não tomar providências, o processo de paz bilateral será comprometido.

Ameaça e manifestação

Nesta quarta-feira um esquadrão anti-bombas da Índia confirmou que encontrou explosivos escondidos em uma bolsa na principal estação de trens de Mumbai.

O esquadrão desativou duas bombas de quatro quilos. Dispositivos semelhantes tinham sido colocados em vários locais de Mumbai durante os ataques na semana passada.

Ainda não se sabe quando estas bombas foram colocadas na estação ferroviária.

Segundo correspondentes na Índia, se os explosivos foram colocados na semana passada ainda durante os ataques, será motivo para mais constrangimento para as autoridades indianas, que já foram criticadas pela reação aos ataques contra os hotéis de Mumbai.

Nesta quarta-feira milhares de pessoas participaram de um comício em Mumbai, com muitos protestando contra o governo indiano.


Reunião de trabalho 'salva' brasileiro de atentados em Mumbai

Uma reunião de trabalho marcada de última hora 'salvou' o brasileiro Fábio Gonçalves, de 32 anos, de estar presente – na hora dos ataques – em um dos locais de Mumbai que foram alvos dos atentados da última quarta-feira.

Gerente de desenvolvimento de sistemas de um grande banco americano, Gonçalves, que mora em Londres há três anos e meio, desembarcou em Mumbai no último de 18, para uma viagem de trabalho de duas semanas.

“Não conhecia Mumbai e tinha ouvido falar que o Café Leopold era um lugar legal, onde os estrangeiros se encontram. Então, como estava trabalhando muito, planejei ir lá na noite de quarta-feira”, conta.

Famoso ponto de encontro de estrangeiros em Mumbai, o Café Leopold foi um dos locais onde homens armados abriram fogo na noite da última quarta-feira. Os extremistas também atacaram dois hotéis, um centro judaico, a principal estação ferroviária da cidade e um hospital. Pelo menos 120 pessoas foram mortas.

Última hora

Às 18h, no entanto, foi marcada uma reunião de trabalho de última hora, o que fez com que Gonçalves só conseguisse deixar o escritório por volta de 22h, momento em que, segundo informações, os ataques estavam começando na cidade.

“Estava cansado e fui direto para o hotel. Quando cheguei, recebi uma ligação de uma das gerentes da empresa em Mumbai, desesperada, perguntando onde eu estava. Quando contei que estava no hotel, ela disse: 'Que bom que você está a salvo'. Só aí me contou que a cidade estava sofrendo uma série de atentados”.

Gonçalves foi então orientado a permanecer no hotel até que a situação de acalmasse.

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