
Estamos chegando ao final do ano de 2.008 e já começamos a nos preocupar com o que poderá acontecer em 2.009, que aparentemente exigirá muito trabalho de todos nós, principalmente daqueles que ainda tiverem trabalho. Não sou pessimista, muito pelo contrário. Sou um homem que confia na capacidade de construirmos um mundo melhor e na superação de qualquer dificuldade.
Porém, segundo os governantes, analistas financeiros, empresários e outros representantes da sociedade, é muito grave a atual crise. Podemos estar entrando numa crise sem precedentes na história de nossa civilização. Por quê? Porque não temos a menor idéia do que vamos enfrentar e ninguém viveu algo parecido em complexidade e dimensão.
Todo o Brasil vivia até poucos meses atrás uma expectativa de que, enfim, iniciávamos um período de grande crescimento econômico depois de tantos anos ouvindo que éramos o país do futuro. E tudo levava a crer que o futuro se tornara presente. Ledo engano. Mais uma vez vimos nossas esperanças virarem pó, e o presente novamente virou futuro.
Nosso governo, há poucos dias, dizia que o que víamos no horizonte era uma marola, uma pequena onda, mas para nossa infelicidade essa marola transformou-se em um tsunami de proporções desconhecidas. Talvez o governo já soubesse da gravidade da situação, mas não querendo gerar mais desconfiança, evitou assumir que ela chegaria para nós.
Ouvi de amigos o comentário de que saímos do céu para o inferno sem escala. Em poucos dias a euforia transformou-se em depressão e as pessoas começaram a temer pelo seu futuro. Desinformação, informações incorretas ou exageradas criaram um pânico generalizado que transformou as Bolsas de Valores de todos os países em montanhas-russas, com oscilações absurdas e perdas estratosféricas para toda a sociedade.
É possível que pessoas em cargos relevantes na esfera internacional já soubessem da chegada dessa crise há algum tempo, mas provavelmente não tomaram as medidas corretivas por razões ligadas aos seus interesses, e agora estamos todos sem saber o que fazer. Ou sabemos?
Acredito que sim, temos que repensar o nosso modelo mental, reformulando nosso plano de vida diante dessa nova perspectiva e desse cenário. Não será fácil até por que há um número muito grande de pontos e possibilidades ainda desconhecidos de todos nós.
Essas mudanças exigirão muita determinação, dedicação, coragem, trabalho e fé em nós mesmos e nos outros. Teremos que aprender a compartilhar mais, a dividir com quem mais precisa, e a olhar com novos olhos, considerando agora mais os interesses comuns e menos os individuais.
Passado o susto inicial, temos que iniciar logo o trabalho de reconstrução desse novo mundo, tomar o controle das mudanças necessárias e partir para a luta. Precisamos nos organizar e planejar as prioridades que merecerão nossa atenção nestes próximos meses. E precisaremos, como nunca, de líderes, mas os verdadeiros líderes, aqueles que deverão nos guiar neste caminho tortuoso e desconhecido que temos pela frente.
Talvez nunca tenhamos precisado tanto desses líderes. Devem ser pessoas que assumam o seu papel de orientar as mudanças que estão só começando, e façam isso de tal forma que minimizem as conseqüências dessa crise que pode trazer tantos prejuízos para milhões de pessoas.
Observando os noticiários constatamos que a crise pode se agravar ainda mais pela falta de qualidade dos líderes. Os representantes dos países mais importantes têm demonstrado falta de coordenação e conhecimento necessários para administrar essa situação. O jogo de interesses e a falta de visão holística do problema tem levado esses representantes a buscar soluções que atendam as demandas dos seus grupos sem considerar os interesses dos outros.
A solução desse grande problema terá de ser global, atendendo a todos os países, sem discriminação ou restrição a americanos, europeus, africanos e asiáticos. Todos, ricos e pobres, terão que se beneficiar da solução a ser encontrada.
Não há espaço para atitudes mesquinhas nesta hora de grandes perdas. A união de todos na busca por melhores soluções é que permitirá que possamos sair dessa crise com mais experiência, organização e, principalmente, mais preparado para construir um mundo melhor e mais justo, um mundo sustentável. É isso que vai nos permitir começar uma nova fase na história da humanidade.
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