Paquistão transfere tropas para fronteira com a Índia

Cerca de 40 caminhões foram retirados da região do Waziristão; premiê indiano reúne-se com chefes militares

Pakistan, Dec. 26 -- Pakistan began deploying thousands of additional troops to its border with India on Friday


Soldados indianos vigiam a fronteira afegã

ISLAMABAD - O Paquistão está transferindo milhares de soldados da fronteira afegã para a indiana, afirmaram fontes do serviço de inteligência paquistanês nesta sexta-feira, 26. Os países vivem em clima de tensão, desde os ataques em Mumbai, em novembro. O governo da Índia acusou "elementos no Paquistão" pelos ataques na capital financeira indiana e já afirmou que espera mais colaboração do vizinho na luta contra os extremistas.

Um repórter da Associated Press testemunhou a retirada de uma coluna de cerca de 40 caminhões com soldados da região do Waziristão do Sul, na fronteira com o Afeganistão. Os funcionários do setor de inteligência falaram sob condição de anonimato.

Dois funcionários do setor de inteligência afirmaram que a 14ª Divisão de soldados estava sendo transferida para Kasur e Sialkot, cidades próximas da fronteira indiana. Isso poderia também prejudicar a atuação das forças paquistanesas contra os extremistas, na zona fronteiriça com o território afegão.

Nesta sexta-feira, o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, teria encontro com chefes militares para discutir "a situação de segurança". O governo indiano ainda não havia comentado as informações sobre envio de tropas pelo vizinho.

Índia e Paquistão possuem armas nucleares. Eles travaram três guerras desde a independência de ambos da Grã-Bretanha, em 1947. Porém os dois governos também afirmam que desejam evitar um conflito, sem contudo descartar o uso da força.

Também sob anonimato, um importante funcionário do setor de segurança do Paquistão não comentou diretamente o envio de tropas. Limitou-se a dizer que "as medidas defensivas necessárias têm sido tomadas" e que as forças paquistanesas estão prontas para "qualquer eventualidade."

A Índia avisou seus cidadãos na sexta-feira que não é seguro viajar para o Paquistão devido à tensão entre os países rivais desde os ataques a Mumbai. "Os cidadãos indianos estão avisados de que não é seguro viajar ou estar no Paquistão", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Índia.

Tensão

A retirada de tropas paquistanesas da fronteira afegã provavelmente será mal recebida pelos Estados Unidos, que não querem ver o Paquistão se desviar da luta contra os militantes da Al-Qaeda e do Taleban na fronteira ocidental do Paquistão.

Índia, EUA e Reino Unido responsabilizaram pelos ataques a Mumbai o grupo islâmico Lashkar-e-Taiba, que tem sua base no Paquistão e se formou para combater o domínio indiano na região da Caxemira, disputada pelos dois países.

O Paquistão condenou os ataques a Mumbai e negou qualquer participação do Estado nessa ação, que atribuiu a "atores não ligados ao Estado". O número cada vez maior de exaltadas reportagens nos dois países têm alimentado especulações de uma guerra, embora os líderes digam que um conflito não serviria aos interesses de ninguém.

Paquistão avisa à Índia que responderá a qualquer ataque

MULTAN - O ministro de Relações Exteriores do Paquistão, Shah Mahmood Qureshi, disse que a Índia não deve lançar um ataque contra o país e que os paquistaneses responderiam a qualquer tipo de ofensiva. "A Índia deve desistir de qualquer ataque estratégico", afirmou o ministro de Relações Exteriores do Paquistão, Shah Mahmood Qureshi, a repórteres na cidade de Multan, região central do Paquistão. "Ela não deve se cometer este erro, mas, caso o faça, o Paquistão será obrigado a responder."

Apesar disso, Qureshi disse que o Paquistão quer a paz com a Índia. "Devemos esperar pelo melhor, mas nos preparar para o pior", declarou. A Índia, no entanto, não descartou o uso da força em uma potencial represália aos ataques contra Mumbai em 26 de novembro, atribuídos ao grupo militante Lashkar-e-Taiba, que possui base em território paquistanês.

O primeiro-ministro do Paquistão, Yousuf Raza Gilani, disse que a Índia deveria apresentar evidências que sustentem a acusação de que os 10 homens armados que mataram pelo menos 164 pessoas em Mumbai no mês passado eram paquistaneses do Lashkar-e-Taiba.

A Índia ofereceu ao Paquistão uma carta do único sobrevivente envolvido nos ataques, Mohammed Ajmal Kasab, assumindo a autoria do atentado e apontando como co-autores outros nove paquistaneses. Kasab também pediu na carta para encontrar-se com enviados paquistaneses, mas os jornais disseram que o governo rejeitou a solicitação, argumentando que não há registro dele como cidadão do país.

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