A Nasa (agência espacial norte-americana), anunciou nesta quarta-feira (3) que perdeu as esperanças, de forma definitiva, de recuperar a sonda Phoenix, que confirmou a existência de água em Marte. Agora, a sonda se torna integrante do "ferro velho" de Marte.Um comunicado do JPL (Laboratório de Propulsão a Jato, em inglês) afirmou que, após quase um mês de esforços para recuperar as comunicações, a agência deixou de utilizar as sondas que orbitam o planeta para "ressuscitar" a Phoenix e voltar a escutá-la.
"Como esperado, a redução da luz solar (no pólo norte de Marte) deixou a Phoenix, que operava com baterias solares, sem energia para mantê-las carregadas", afirmou a Nasa. A comunicação final da Phoenix foi um breve sinal recebido por meio da sonda Mars Odyssey na terça-feira (2).
No entanto, a Nasa expressou satisfação com o fato de a sonda ter funcionado dois meses a mais do que o previsto e ter alcançado seus objetivos científicos. A Phoenix está em Marte desde 25 de maio deste ano, explorando o solo.
No entanto, a chegada do inverno na região diminuiu a luz solar ao ponto de que as baterias não forneciam energia suficiente nem podiam manter a temperatura em seus sistemas.
O inverno marciano foi "um fator que contribuiu para a perda de comunicações, mas esperávamos que uma variação do clima nos desse outra oportunidade de restabelecer o contato", afirmou Chris Lewicki, cientista da missão "Phoenix" no JPL.
Conheça os principais fatos da missão da sonda Phoenix em Marte
4 de agosto de 2007
A Nasa (agência espacial norte-americana) lança a sonda Phoenix, de Cabo Canaveral, na Flórida, levada por um foguete Delta 2. O equipamento inicia uma viagem de quase dez meses pelo espaço
25 de maio de 2008
A Phoenix faz pouso histórico próximo ao pólo norte de Marte. Após percorrer 679 milhões de quilômetros, a espaçonave pousou às 20h53 no horário de Brasília, depois de uma entrada arriscada na atmosfera do planeta. Menos de 50% das sondas que tentaram pousar em Marte obtiveram sucesso até hoje. E a Nasa não conseguia pousar uma sonda ali utilizando motores retropropulsores --a tecnologia utilizada pela Phoenix-- desde 1976.
28 de maio
Técnicos da missão transmitem os comandos para que a Phoenix comece sua prospecção do solo do planeta. Essas ordens têm como objetivo ativar o braço robótico da nave com o qual a Phoenix escava a superfície do planeta.
31 de maio
A sonda Phoenix encontra possíveis rastros de gelo em torno da região próxima ao pólo norte de Marte, onde desceu. O que parece ser gelo está em uma imagem captada debaixo da nave pela câmara instalada no braço robótico da Phoenix.
6 de junho
O equipamento tenta analisar as primeiras amostras de solo recolhidas em Marte. O material, localizado em uma espécie de pá, é colocado em um instrumento chamado Tega, responsável por analisar componentes do solo de Marte.
11 de junho
Após dias de tentativa, a sonda Phoenix finalmente consegue coletar material suficiente para começar as análises de solo de Marte. O solo se mostrou mais compacto do que se imaginava, dificultando a tarefa de colocar partículas no Tega.
17 de junho
A Phoenix enfrenta problemas de memória em seus computadores, fazendo com que alguns dados científicos fossem perdidos.
19 de junho
Técnicos da missão dizem estar convictos de que um material brilhante encontrado na superfície de Marte é gelo, e não sal. Eles chegaram a essa conclusão em razão de quantidades do material que haviam sido fotografadas pela sonda terem desaparecido do solo --indicando que a água congelada sublimou após ter sido exposta no solo.
26 de junho
Os primeiros testes do solo no pólo norte de Marte revelam um ambiente salgado, similar ao encontrado nos quintais das casas na Terra. A descoberta levanta a esperança de que as planícies árticas do planeta podem ter condições favoráveis para vida primitiva.
31 de julho
A Phoenix confirma a existência de gelo no planeta. Para os técnicos, é a primeira vez que a existência de água é provada quimicamente.
04 de agosto
A Folha Online adianta que a Phoenix encontrou água em estado líquido no planeta. A descoberta pode levar a uma revolução nas pesquisas sobre o planeta, já que a substância é fundamental para a existência de vida, ao menos do modo como a conhecemos.
Marte, o Planeta Vermelho
Marte, planeta que recebeu o nome do deus romano da guerra e da agricultura, é o quarto planeta do Sistema Solar, começando a contar pelo Sol --está logo depois da Terra. Com uma cor que vai de marrom amarelado até o avermelhado, ocasionalmente pode ser o terceiro objeto mais brilhante no céu visto da Terra à noite, depois da Lua e de Vênus.
Segundo a Nasa (agência espacial norte-americana), o planeta tem um diâmetro médio de 6.780 km, cerca de metade do da Terra. Percorre uma órbita elíptica em torno do Sol, em uma distância que varia de 206,7 milhões de km até 249,2 milhões de km. O planeta faz uma volta completa em torno do Sol a cada 687 dias terrestres --um dia em Marte dura 24 horas, 39 minutos e 35 segundos.
Marte recebeu esse nome em homenagem ao deus romano da guerra e da agriculturaO planeta tem duas luas, de formato bastante irregular e pequenas, chamadas Fobos e Deimos --os nomes foram baseados na mitologia grega.
Até agora, Marte era considerado um deserto, em que não existe água em estado líquido. Entretanto, dados obtidos pela Phoenix, que explora o planeta desde o fim de maio, começam a mudar esse cenário, com presença de água bastante salgada.
A atmosfera do planeta é composta sobretudo por dióxido de carbono, nitrogênio e argônio. A temperatura média é de -53ºC, mas esse valor varia de -128ºC durante a noite polar, até 27ºC na região equatorial, durante o meio-dia, quando Marte está em seu ponto de maior aproximação do Sol.
O Planeta Vermelho abriga o maior vulcão do Sistema Solar, chamado Monte Olimpo, com cerca de 25 km de altura --praticamente três vezes a altura do Everest.
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