
GAZA- A aviação israelense voltou lançar ataques aéreos contra a Faixa de Gaza nesta segunda-feira, 29, o terceiro dia da ofensiva militar detonada contra o grupo radical Hamas, que controla o território palestino desde junho de 2007. O número de mortos já chega a 345, de acordo com fontes médicas palestinas citadas pela agência AP.
Após uma diminuição dos ataques aéreos devido à baixa visibilidade, Israel começou a preparar-se para uma incursão terrestre de larga escala. Cerca de 6.500 reservistas foram convocados e tropas se posicionam na fronteira de Israel ao norte do território palestino. O governo israelense declarou a faixa de Gaza como 'zona militar fechada'. O fechamento significa que civis e jornalistas podem ser barrados de entrar na região. Esse gesto pode ajudar o país a realizar um ataque terrestre. Esta ofensiva já é considerada a mais sangrenta desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.
O governo israelense afirma agir em resposta aos quase 150 foguetes lançados pelo Hamas contra o sul de seu território desde o fim do cessar-fogo de seis meses com o grupo, há dez dias. Os ataques palestinos causaram pânico na população e deixaram duas vítima fatais. Uma morreu no sábado, e outra na manhã de hoje .
O soldado israelense Gilad Shalit, capturado por três milícias palestinas em junho de 2006, teria sido ferido após uma das incursões da Força Aérea Israelense, em retaliação, informaram fontes do Hamas à uma rede de televisão egípcia. Não foi informado sobre as condições do refém, nem sobre como ele teria sido ferido.
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Palestinos tiveram casa destruída após ataque israelense - Foto: Khalil Hamra /AP
Novos ataques
Os ataques desta segunda-feira se concentram na cidade de Gaza. O Ministério do Interior do Hamas foi destruído. A Universidade Islâmica de Gaza, que estava vazia, também foi atacada. Cinco mísseis atingiram o edifício de laboratórios da universidade. Segundo o Exército de Israel, o local era utilizado na fabricação de foguetes, explosivos e material eletrônico para o Hamas.
Um ataque aéreo contra a localidade de Yabaliya, no norte do território palestino, matou ao menos quatro meninas, com idades entre um e 12 anos, todas da mesma família, que viviam próximo a uma mesquita alvo de ataques. Outros dois menores morreram em um ataque contra Rafah, no sul da Faixa de Gaza, segundo fontes médicas. O outro morto é um ativista do Hamas. Outros bombardeios ocorreram em Beit Lahiya e Beit Hanun no norte da Faixa de Gaza, onde 12 pessoas morreram e outras 30 ficaram feridas.
Na noite de domingo, F-16 israelenses bombardearam várias instalações de segurança e quartéis da Polícia do movimento islâmico Hamas, além de prédios, veículos e outros alvos. Entre os últimos pontos bombardeados ontem está uma delegacia situada no campo de refugiados de Beach, na Cidade de Gaza, que ficou completamente destruída, segundo contaram testemunhas na região.
Fontes de segurança do Hamas disseram que Israel realizou no domingo mais de 50 bombardeios, em um dos quais foi destruída uma prisão do Hamas. Um porta-voz do Exército israelense disse que nos últimos dois dias foram atingidos 240 alvos palestinos em Gaza.
Civis
A ofensiva israelense contra o Hamas em Gaza deixou desde sábado pelo menos 57 civis mortos, entre eles 21 crianças, informou nesta segunda-feira a ONU, citando números obtidos de fontes médicas. "Elaboramos um saldo de vítimas civis com fontes médicas. São 57 mortos, entre eles 21 crianças e pelo menos sete mulheres", informou à agência France Presse Christopher Gunness, porta-voz da UNRWA, a agência de ajuda da ONU a refugiados palestinos.
Sete mil se alistam no Irã para atentados suicidas contra Israel
Dezenas de milhares de libaneses xiitas se reuniram nesta segunda-feira, 29, na capital do país, para protestar contra a ofensiva aérea de IsraelProtestos
As ruas de diversos países muçulmanos foram tomadas nesta segunda-feira, 29, por dezenas de milhares de manifestantes críticos aos ataques aéreos de Israel contra a Faixa de Gaza, que entraram no terceiro dia. Protestos aconteceram no Líbano, Jordânia, Egito, Iraque e Irã.
Dezenas de milhares de libaneses xiitas se reuniram nesta segunda-feira, 29, na capital do país, para protestar contra a ofensiva aérea de Israel contra a Faixa de Gaza, que já dura três dias. "Morte aos Estados Unidos, morte a Israel", gritaram os manifestantes.
Em Amã, capital da Jordânia, cerca de 20 mil pessoas também protestaram contra os bombardeios. No Cairo, no Egito, cerca de mil pessoas macharam em solidariedade aos palestinos. "Em Gaza hoje nós enfrentamos, como nação islãmica, uma batalhe pelo destino da Paleestina, e não pelo destino do Hamas", declarou o líder do grupo radical xiita Hezbollah, o xeque Nassan Nasrallah. Ao contrário da organização libanesa, o Hamas é sunita.
A massa pediu que o Hamas intensifique os ataques com mísseis artesanais Qassans e com homens-bomba a Israel. "Ó, Hamas, somos seus soldados. Atinja-os com os mísseis al-Qassam e traga os suicidas para Tel Aviv", pediram os muçulmanos. Muitas famílias jordanianas originalmente vem de cidades que hoje formam o território israelense.
No Cairo, ativistas muçulmanos criticaram o governo egípcio, que colaborou com o bloqueio a Gaza nos últimos meses. Os ativistas pediram que o governo do presidente Hosni Mubarak reabra a passagem fronteiriça de Rafah. Alguns movimentos islâmicos vêem governos árabes, principalmente o Egito, como colaboradores dos EUA e de Israel. Também houve protestos em Bagdá, a capital do Iraque.Milhares protestam contra Israel
Cerca de 7 mil estudantes basiyies (fiéis aos aiatolás) das universidades de Isfahan, na região central do Irã, alistaram-se para participar de ataques suicidas contra Israel, informou a agência de notícias semi-oficial iraniana Fars. A agência cita um membro do conselho central da Associação dos Estudantes Basiyies (milícias armadas dos Guardiães da Revolução), identificado como Muhamad Zafiri.
Zafiri explicou que "no primeiro dia de registro de voluntários para participar de operações de martírio (atentados suicidas) contra o regime sionista (como chamam Israel) e a favor dos inocentes palestinos 7 mil estudantes das universidades de Isfahan se alistaram."
A iniciativa dos estudantes basiyies acontece depois de o líder supremo iraniano, o grande aiatolá Ali Khamenei, apontasse ontem que todos os crentes estão obrigados a "defender o povo indefeso de Gaza" dos ataques israelenses, que já somam 345 mortos, segundo o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza.
Zarifi também assinalou que os estudantes basiyies devem se concentrar esta noite, com velas acesas, frente ao escritório diplomático do Egito em Teerã. "Esta concentração se prolongará até as 9h locais (3h30 de Brasília)", explicou Zarifi, quem acrescentou que a intenção dos estudantes é conseguir o fechamento desse escritório.
Os laços diplomáticos entre Irã e Egito se romperam em 1980, depois que o governo egípcio liderado pelo presidente Anwar ao Sadat assinou um acordo de paz com Israel em 1979. Desde 1990, ambos os países mantêm relações pouco amistosas.,
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