O Federal Reserve (Fed, o BC americano) decidiu nesta terça-feira estabelecer sua taxa de juros para uma margem entre zero e 0,25% ao ano, em sua última reunião regular de 2008, o menor patamar de sua história. A taxa estava em 1%, nível a que chegou na reunião de outubro.
Na reunião, o Fed ainda decidiu, por unanimidade, cortar a taxa de redesconto em 0,75 ponto percentual, para 0,5% ao ano.
Entre a reunião anterior, em 29 de outubro, e a de hoje, o Fed se viu diante de dois dados principalmente que evidenciam a fragilidade da economia americana: o mês de novembro registrou a perda de 533 mil empregos e o Nber (Escritório Nacional de Pesquisa Econômica, na sigla em inglês) informou que a economia americana está em recessão desde dezembro de 2007.
Segundo o Nber -- é um dos principais institutos de economia dos EUA e responsável por avaliar quando o país está oficialmente em recessão ou não e quando esta acabou--, a economia americana atingiu um pico em dezembro de 2007, que marcou o fim do ciclo de expansão começado em novembro de 2001 e o início da recessão. As estimativas são de que a economia dos EUA prosseguirá em recessão até meados de 2009.
No comunicado da reunião de outubro, o Fed já reconhecia que "o ritmo da atividade econômica parece ter caído acentuadamente, devido em grande parte a um declínio nos gastos dos consumidores. Em outubro, de fato, os consumidores americanos se tornaram mais avessos a fazer gastos no clima de incerteza sobre a economia: a queda naquele mês foi de 1%, a maior desde setembro de 2001. Em setembro já havia sido registrada uma queda de 0,3%.
Novos sinais
Os sinais dados pela economia hoje corroboraram a opinião de que o quarto trimestre guarda novos sinais desanimadores.
Os preços ao consumidor tiveram uma queda de 1,7% no mês de novembro, após retração de 1% em outubro, maior recuo na comparação mês a mês já registrado desde que a pesquisa de preços começou a ser feita, em 1947.
Além disso, a construção de imóveis residenciais nos EUA caiu 18,9% em novembro, para uma taxa anualizada de 625 mil unidades, depois de uma taxa de 771 mil em outubro. Foi a maior queda desde março de 1984. As solicitações de alvarás de construção, considerados um indicador de atividade futura na construção, teve queda de 15,6%, para 616 mil, contra 730 mil em outubro. A expectativa dos analistas era de uma queda para 700 mil.
Ontem, a Nahb (Associação Nacional de Construtores de Imóveis Residenciais. na sigla em inglês) informou que o índice teve queda recorde em dezembro.
Bovespa dispara após decisão histórica do Fed
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) tomou novo fôlego com a decisão surpreendente do Federal Reserve (banco central americano), que ajustou a taxa básica de juros dos EUA para o menor nível da história, uma faixa entre zero e 0,25% ao ano. A maioria dos economistas do setor financeiro estimava um ajuste para 0,50%. O câmbio fechou a R$ 2,37.
O termômetro da Bolsa, o Ibovespa, avançou 4,37% para os 39.993 pontos. O giro financeiro foi de R$ 3,42 bilhões. Nos EUA, a Bolsa de Nova York, ainda aberta, disparava 4,26% por volta das 18h45.
"A primeira reação foi bastante positiva, mas a decisão é, na verdade, uma faca de dois gumes. Realmente, o corte traz um grande alívio: na visão do mercado, o Fed acertou no 'timing' de sua decisão, ao acelerar um processo que já ocorreria, dado um certo horizonte de tempo. Só que ele gastou munição. A 'bala monetária' está chegando a zero", avaliou o economista Frederico Turolla, professor da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing).
O dólar comercial foi cotado a R$ 2,372 para venda, em queda de 0,71%. A taxa de risco-país marca 491 pontos, número 1,97% abaixo da pontuação anterior.
O Banco Central avisou que vai realizar amanhã, a partir das 11h30, três leilões de venda de moeda com recompra prevista para os meses de fevereiro, março e abril de 2009, sem informar imediatamente a oferta de dólares. A autoridade monetária vendeu moeda hoje, aceitando ofertas por R$ 2,360 (taxa de corte).
Fed
O mercado já contava com uma redução dos juros primários nos EUA, mas a opção do Fed por uma "política de juro zero" foi ainda além do que esperavam os economistas do setor financeiro. Mas nos últimos dias, o noticiário econômico acumulou indicadores negativos que sustentavam uma opção pelo relaxamento da política monetária.
Ontem, o próprio Fed informou que a produção industrial dos Estados Unidos sofreu retração de 0,6% em novembro, a terceira queda desde junho.
E hoje, o Departamento do Trabalho mostrou que os preços ao consumidor nos EUA tiveram uma queda de 1,7% no mês de novembro. Esse foi o maior recuo na comparação mês a mês já registrado desde que a pesquisa de preços começou a ser feita, em 1947.
Não foi a pior notícia do dia: o banco Goldman Sachs, um dos maiores dos Estados Unidos, informou hoje o seu primeiro prejuízo trimestral desde quando lançou ações em Bolsa de Valores, em 1999.
No front doméstico, a FGV (Fundação Getúlio Vargas) revelou que a inflação medida pelo IGP-10 teve variação de 0,03% em dezembro, ante 0,73% em novembro. No ano, o indicador teve variação positiva de 10,27%, a maior taxa desde 2004.
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontou que as vendas do comércio no país caíram 0,3% em outubro na comparação com o mês anterior. Essa é a primeira queda depois de sete meses em expansão, sendo que outubro foi o primeiro mês cheio desde o agravamento da crise de crédito nos Estados Unidos, em meados de setembro
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