Cinco pessoas foram infectadas com leptospirose em SC; 144 casos suspeitos são investigados

A Dive (Diretoria de Vigilância Epidemiológica), ligada à secretaria do Estado da Saúde de Santa Catarina, confirmou nesta quinta-feira que cinco pessoas estão com leptospirose no Estado. Segundo o órgão, entre os dias 22 de novembro e esta quinta-feira, a secretaria recebeu a notificação de 144 casos suspeitos. Segundo especialistas, as enchentes elevam os riscos de contaminação da doença.

Os casos confirmados são das cidades de Itajaí, Joinville, São José, Guabiruba e Guaramirim. Só é possível confirmar a doença após a realização de exames clínicos e o acompanhamento do paciente.

Quem apresentar sinais de febre, cefaléia e mialgia (dores no corpo) --que tenha sido exposto à água ou lama de enchente nos 30 dias anteriores à data do início dos sintomas --deve procurar uma unidade de saúde.

De acordo com a Dive, a cidade de Joinville é a que possui o maior número de casos suspeitos notificados até esta quinta-feira, com 34 notificações.

Foram registrados ainda outros 29 casos de suspeita de leptospirose em Itajaí; 16 em Blumenau; 11 em Balneário Camboriú; 11 em Navegantes; nove em Itapema; oito em Ilhota; sete em Jaraguá do Sul; três em Brusque; três em Florianópolis; três em Guaramirim; três em Luiz Alves e dois em Camboriú. Em Guabiruba, Pomerode, Rodeio, Penha e São José foram notificados um caso de suspeita em cada cidade.

Em média, os casos confirmados representam de 20% a 30% do total dos casos suspeitos notificados, segundo a secretaria.

Prevenção

Os primeiros sintomas da doença são: febre alta, dor de cabeça, dor muscular, cansaço e calafrios. Em alguns casos, vômitos e diarréia podem causar desidratação. Cerca de 10% dos pacientes também apresentam icterícia --olhos amarelados.

A doença pode ficar incubada de dois a 30 dias antes de aparecerem os primeiros sintomas.

O governo do Estado alerta que não existe vacina contra a leptospirose, e orienta para que a população evite contato direto com as águas de enchente ou com lama contaminada. Quando não foi possível evitar, deve-se usar calçados e luvas impermeáveis para reduzir o contato.


Chuva deixa um terço das praias do Estado de SC indisponíveis no Natal e Ano-Novo


Praias localizadas numa faixa de cerca de 150 km do litoral de Santa Catarina devem permanecer indisponíveis durante o Natal e o Ano-Novo, segundo previsão da Famai (Fundação do Meio Ambiente de Itajaí). O trecho se estende desde o município de Florianópolis até Barra Velha, passando pelas praias de Navegantes e Itajaí, região mais atingida pelas chuvas.

O número de mortos devido às chuvas chega a 118 em todo o Estado, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira pela Defesa Civil de Santa Catarina.

Desde o início das chuvas até hoje pela manhã, 45.932 pessoas que foram obrigadas a deixar suas casas retornaram para suas residências. Na última segunda-feira (1) eram 78.701 os desabrigados ou desalojados.

Atualmente 5.533 estão desabrigados --dependem de abrigos públicos-- e 27.236 estão desalojados, ou seja, ficam hospedados na casa de amigos e familiares.

Na segunda-feira (1) o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), afirmou que as chuvas que atingem o Estado comprometeram 40% da produção econômica da região do Vale do Itajaí --setor mais importante da economia estadual.

Entre casas destruídas, prédios públicos e rodovias a chuva também danificou parte do Porto de Itajaí, que deve demorar seis meses para ser refeito.

As medidas para reverter a situação do Estado incluem ainda uma campanha publicitária estadual, que visa mostrar que a infra-estrutura do litoral está preparada para receber os visitantes. A campanha não tem data para começar.

Salinidade

Além das belezas naturais --parte delas atingida pela chuva-- o Estado de Santa Catarina é famoso pelas praias. Uma das etapas do WCT (World Championship Tour), um dos mais importantes torneio de surfe do mundo, é realizada no Estado.

O diretor de fiscalização e educação ambiental do Famai, Luiz Fernando Inácio, afirmou que ao menos 150 km de praias do litoral --quase um terço dos 500 km existentes no Estado-- ficaram comprometidos devido às chuvas.

Desde ontem o órgão está implantando placas de sinalização e orientação aos banhistas. O maior problema é a fusão do acúmulo de lixo e a salinidade --teor de sal-- das águas.

"Um dos maiores problemas é a grande quantidade de entulho na areia, ferragens, pregos, ferrugens, animais mortos que ainda estão nas águas e aparecem na margem e a necessidade da renovação de areia", afirmou Inácio.

Segundo ele, a troca de salinidade das águas nessa faixa de 150 km de litoral só deve ocorrer dentro de 20 dias a 30 dias, o que compromete as visitas pelos banhistas durante o Natal e Ano-Novo. Parte dessa área abrangida não foi tão prejudicada pela chuva quanto o Vale do Itajaí, entretanto, sofre os efeitos do que é levado pelas águas.

Um relatório de balneabilidade das praias será realizado pelo governo estadual.


Verba federal para SC continua retida na burocracia

prometida para ser liberada nesta quarta-feira (3), a verba do governo federal destinada às vítimas das chuvas em Santa Catarina continuam retidas devido a entraves burocráticos.

Nem o governo do Estado nem as prefeituras dos municípios inundados enviaram a Brasília os papéis necessários à liberação de verbas prometidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Estado deveria receber R$ 679 milhões segundo MP (medida provisória) aprovada por Lula.

Na semana passada, Lula editou uma medida provisória de R$ 1,6 bilhão para ajudar Estados das regiões Sul e Sudeste afetados pelas chuvas.

Para pôr a mão no dinheiro, a equipe do governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) e os prefeitos catarinenses teriam de enviar a Brasília quatro documentos --entre eles uma avaliação de danos e um plano de trabalho que deixe claro o que será feito com o dinheiro público-- ao ministério da Integração Nacional.

A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) compreende a demora: "Entendo a posição do ministro Geddel. É impossível colocar dinheiro público na mão de qualquer pessoa sem ter um detalhamento mínimo de como será aplicado".

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