Anfavea: setor automotivo já sente retomada das vendas
BRASÍLIA - O presidente da Anfavea, Jackson Schneider, disse hoje que o setor automobilístico já começa a sentir uma melhora na situação das vendas. Segundo ele, os recursos liberados pelo Banco do Brasil para impulsionar o crédito para a compra de automóveis começam a chegar na ponta do varejo e "já se começa a sentir a retomada das vendas".
Schneider, que participou da reunião de empresários com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse que durante o encontro não se falou sobre medidas específicas para o setor automotivo. "Saímos da reunião com a mensagem clara de que o governo tomará medidas necessárias para a crise não afetar o Brasil", afirmou.
Segundo ele, apesar da crise e da queda das vendas no quarto trimestre deste ano, 2008 será o melhor ano do setor automotivo, "com recorde de produção e de vendas no mercado interno".
Brasil é o único dos Brics que mostra aceleração no 3º trimestre
O Brasil foi o único dos Brics - grupo de países emergentes formado também por Índia, China e Rússia - cujo Produto Interno Bruto (PIB) cresceu no terceiro trimestre de 2008, comparado com o mesmo período do ano anterior. A taxa de crescimento da economia brasileira, comparada com o mesmo período do ano anterior, saltou de 6,2% entre abril e junho para 6,8% de julho a setembro. A China viu seu PIB recuar de 10,1% para 9%, no primeiro resultado abaixo de dois dígitos em cinco anos. A Índia desacelerou de 7,9% para 7,6%, e a Rússia saiu de 7,5% para 6,2%.
Para o professor de economia internacional da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Evaldo Alves, isto se deve a dois fatores. Um deles é diversificação dos parceiros comerciais brasileiros. "Pusemos os ovos em diversas cestas. Aumentamos o comércio com a China, o Oriente Médio e a América Latina", disse. "Mas mesmo assim não é hora para achar que está tudo ótimo".
Segundo o analista, os Estados Unidos, berço da crise global, e a União Européia, que entrou em recessão no terceiro trimestre, têm um peso maior na pauta de exportações de China e Rússia. No terceiro trimestre, com seus clientes já em dificuldade, estes emergentes entraram em desaceleração.
De acordo com o ministério do Comércio, Indústria e Desenvolvimento, no primeiro semestre deste ano, A América Latina, a Ásia e o Oriente Médio receberam 43,8% das exportações brasileiras. A UE e os EUA compraram 38,7% dos produtos nacionais. Os EUA ainda são o principal país comprador do que o Brasil produz, mas a China já está em terceiro lugar, atrás da Argentina, a segunda colocada.
Além disso, diz o professor, no terceiro trimestre, o mercado interno brasileiro continuou com a demanda em alta pois ainda não havia sentido o impacto da crise, que estourou em meados de setembro, com a quebra do banco Lehman Brothers. "Nós ainda não estávamos conscientes do que poderia vir. Continuamos comprando e investindo. E esse PIB é o resultado disso", explicou.
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