Recuperação da Europa, EUA e Japão virá em 2010, diz OCDE

Nathália Ferreira

PARIS - Os EUA irão arrastar muitos países desenvolvidos para uma longa recessão, afirmou a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), prevendo que a maior economia mundial será a mais atingida durante a desaceleração atual. Segundo o órgão, as economias da OCDE como um todo entraram em recessão e irão encolher 0,3% no próximo ano e se recuperar em 2010, com um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,5%. A OCDE projeta que tanto os EUA quanto a zona do euro podem experimentar quatro trimestres consecutivos de contração.

A economia dos EUA encolherá 2,8% no último trimestre deste ano e 2,0% nos primeiros três meses de 2009, e voltará a ter crescimento apenas no terceiro trimestre do próximo ano, prevê a OCDE. Já a zona do euro terá uma recessão mais amena, com contração de 1,0% e 0,8% do PIB no último trimestre deste ano e no primeiro de 2009, respectivamente, acredita a OCDE. A economia japonesa irá encolher por apenas seis meses e se recuperar novamente no primeiro trimestre de 2009.

Segundo o órgão, os problemas duradouros nos mercados financeiros mundiais e o declínio dos preços de moradias são os principais motivos da desaceleração, e a volta ao crescimento não acontecerá de forma rápida. "Essa certamente não é uma recessão em formato V [de rápida recuperação]", disse Jorgen Elmeskov, economista-chefe da OCDE, em entrevista, alertando que a turbulência nos mercados irá pesar sobre a economia até 2010. As informações são da Dow Jones.

Indústria da China desacelera para o menor nível em 7 anos

PEQUIM - A produção industrial da China desacelerou de maneira acentuada em outubro e registrou o menor índice de expansão em sete anos, em mais um indício da rápida deterioração da economia em razão da crise financeira global. De acordo com o jornal oficial China Daily, o primeiro-ministro Wen Jiabao afirmou em reunião de gabinete que o efeito do terremoto financeiro sobre o país "é pior que o esperado".

A desaceleração da economia afetou a arrecadação tributária do governo central, que diminuiu 0,3% no mês passado, na primeira queda do indicador desde 1996 em um mês que não é de férias. Apesar da retração, no acumulado do ano, a receita de impostos registra alta de 22,6% em relação a 2007, quando o aumento foi de 32,4%.

O crescimento da atividade industrial no mês passado foi de 8,2% em relação a igual período do ano passado, uma redução de 3,2 ponto percentual em comparação aos 11,4% de setembro.

A China registrou no período julho-setembro o quinto trimestre consecutivo de desaceleração, com crescimento de 9%. O índice é o menor em cinco anos e representa uma acentuada retração em relação ao ritmo de 11,9% registrado em 2007.

Os dados da atividade industrial mostram que a produção de aço caiu 17% em outubro, em relação a igual período do ano passado. Com estoques crescentes, muitas fábricas do setor siderúrgico interromperam sua produção, à espera de clientes. A produção de energia teve queda de 4% e os demais setores cresceram em menor velocidade que nos meses anteriores.

Saldo comercial


Números divulgados na terça-feira indicam que o ritmo de expansão das importações chinesas desacelerou em outubro para 15,6%, o menor patamar desde junho de 2007, em razão da queda dos preços das commodities, da menor demanda interna e do menor ritmo das exportações, que registraram alta de 19,2% no mesmo período.

Com a retração mais acentuada das compras externas, o superávit comercial atingiu o valor recorde de US$ 35,2 bilhões no mês passado. A retração nas importações tem forte relação com a queda nas vendas ao exterior, já que pelo menos metade dos embarques chineses é de produtos montados com peças produzidas em outros países.

A expansão de 19,2% nas exportações de outubro ficou acima do esperado por analistas e representa queda de 2,3 pontos percentuais em relação aos 21,5% de setembro. A desaceleração nas importações foi bem mais acentuada, com o índice de crescimento passando de 21,3% para 15,6%.



Inflação


A inflação também recuou em outubro para 4%, o menor patamar em 17 anos, em mais um indício de enfraquecimento da atividade produtiva. A desaceleração da alta de preços amplia o espaço do banco central para estimular a economia por meio do corte da taxa de juros.

Com a divulgação dos dados negativos de outubro, analistas econômicos esperam que o banco central aprove em breve um novo corte na taxa de juros, que seria o quarto desde meados de setembro.

No domingo, Pequim anunciou um megapacote de estímulo da economia, que prevê investimentos de US$ 586 bilhões nos próximos dois anos. Na terça-feira, o governo aprovou redução de impostos sobre a exportação de 3.770 produtos, que representam 28% das vendas do país ao exterior.

Alemanha entra em recessão com queda de 0,5% no PIB

FRANKFURT - A Alemanha, maior economia da Europa, entrou em recessão no terceiro trimestre do ano pela primeira vez desde 2003. O Produto Interno Bruto (PIB) alemão se contraiu 0,5% em relação ao segundo trimestre, em termos ajustados à sazonalidade, à variação dos preços e ao calendário, de acordo com dados preliminares do Escritório Federal de Estatísticas (Destatis). O órgão revisou o número relativo ao segundo trimestre, para uma contração de 0,4%, ante os dados preliminares que apontavam recuo de 0,5%.

Dois trimestres consecutivos de contração representam a medida geralmente utilizada para definir uma recessão. O Destatis também revisou o crescimento do PIB no primeiro trimestre para 1,4% em relação ao trimestre anterior, contra uma expansão de 1,3% informada anteriormente.

Segundo o órgão de estatísticas, as exportações, que eram o motor do crescimento da economia alemã, puxaram a desaceleração geral. As vendas externas diminuíram, enquanto as importações aumentaram. O consumo e a formação de estoques, porém, deram contribuições positivas para a variação do PIB. Em bases anualizadas, a economia cresceu 0,8% em termos ajustados ao calendário.

A previsão dos economistas consultados pela Dow Jones projetava uma contração de 0,1% no trimestre e um crescimento de 1% sobre o ano anterior. Os economistas apontam para os sinais de mais notícias ruins, antes de uma recuperação que na melhor das hipóteses só deve ocorrer no segundo semestre do próximo ano. "O impacto completo da crise financeira ainda está para se desenrolar", disse Carsten Brzeski, economista da Global Economics ING Financial Markets. As informações são da Dow Jones.

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