Carlos Alberto Sardenberg
Nos EUA, senadores do Partido Democratas apresentaram o novo plano de apoio às três grandes montadoras, GM, Chrysler e Ford.
São mais US$ 25 bilhões para empréstimos a juros subsidiados. O projeto precisa ser aprovado também pela Câmara, mas há oposição de republicanos e mesmo de democratas.
O noticiário que chega por aqui dá a impressão de que as três grandes e mais o sindicato dos trabalhadores do setor, a UAW, têm amplo apoio no Congresso e na opinião pública.
Impressão equivocada. Jornais americanos têm trazido notícias e reportagens dando conta do contrário, do crescente sentimento de que dar mais dinheiro para as três grandes montadoras e seus funcionários não resolve e caracteriza um privilégio indevido.
Tanto que Barack Obama, favorável ao apoio, assim como a cúpula do Partido Democrata, disse que apoio para recuperação é uma coisa, dar um “cheque em branco” não faz sentido.
Há muitos estados com fábricas da Toyota, Honda, Mercedes, Volks, BMW, Hyundai, instaladas no sul do país, cujas lideranças políticas dizem que o governo não pode gastar dinheiro com empresas já inviabilizadas, que seriam as três de Detroit.
O New York Times de hoje traz reportagem dizendo que, na Web, nos emails recebidos pelos veículos de comunicação, chovem críticas à GM, Ford e Chrysler e ao UAW, citadas como instituições predatórias que querem viver às custas do dinheiro público.
Eis porque o apoio tem sido difícil. Os políticos estão tentando encontrar um bom pretexto, como dar dinheiro para que as empresas desenvolvam carros mais verdes e mais econômicos. Ou então, como no plano dos senadores, exigindo que as montadoras só podem receber o auxílio se apresentarem um programa de longo prazo e se venderem ações ao governo a preços menores do que os de mercado. (Com isso, o governo teria como se ressarcir e até lucrar, caso o programa funcione).
De todo modo, fica registrado um ponto importante: nos EUA e em toda parte, aqui inclusive, empresas e associações de todos os setores correm para pegar um dinheirinho do governo, sob o pretexto de evitar uma catástrofe geral. Os governos, e os contribuintes, têm de ficar atentos para distinguir entre ameaças sistêmicas e oportunismo.
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