No interior da Antártida

Começa hoje a primeira expedição brasileira ao interior da Antártida. Sete cientistas brasileiros e um chileno, coordenados pelo glaciologista Jefferson Simões, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), viajarão a 2.400 km de distância da base brasileira, Estação Comandante Ferraz, que fica na ilha Rei George, a noroeste do continente, desde 1984.

Batizada de “Deserto de Cristal”, a expedição é a iniciativa mais importante do País no Ano Polar Internacional, decretado para o estudo do aquecimento do continente. Segundo os estudos preliminares de Simões e sua equipe, as variações de temperatura da Antártida – uma calota de gelo de quase 14 milhões de km², mais de 60% superior ao território nacional – têm tanta influência quanto a Amazônia no sistema climático do Brasil.

Os pesquisadores vão ficar 40 dias acampados sobre as geleiras, enfrentando temperaturas de até 35º C negativos. No local onde vão se instalar, Monte Johns, jamais visitado até hoje, o objetivo é perfurar o manto de neve para estudar a presença de gás carbônico. “Vamos colher o testemunho do gelo”, resume Simões. “A pesquisa em acampamentos é cada vez mais importante.” Eles ficarão a “apenas” 1.100 km do Pólo Sul.

Além da expedição, a viagem que se inicia hoje também levará pesquisadores para uma temporada de três meses na base brasileira, como se faz habitualmente nesta época do ano, de clima mais ameno e menos imprevisível. O Brasil investe cerca de R$ 25 milhões no ProAntar (Programa Antártico), menos da metade de China e Índia. A estação consome quase 40% desse valor. Além disso, o ProAntar terá navio novo a partir de janeiro.

A expedição custa R$ 700 mil, verba do Ministério da Ciência e Tecnologia, que já investiu outros R$ 10 milhões por conta do Ano Polar. O presidente Lula, que visitou a Comandante Ferraz no ano passado, liberou a quantia depois de ver como as condições de trabalho e pesquisa estavam se deteriorando. Ainda não há certeza de que o novo patamar de investimento vá ser mantido nos próximos anos. Mas Simões diz que já houve um “ponto de inflexão” na visão que o Brasil tem de sua participação na Antártida.

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