Países ricos querem corte de juros; Brasil pede mais investimentos. Nações desenvolvidas resistem a mudanças em instituições como o FMI
O encontro do G20, grupo que reúne países ricos e em desenvolvimento, que acontece neste fim de semana em São Paulo, foi dominado pelas discussões sobre a crise mundial. Entretanto, apesar de todos estarem em busca de uma resposta para a maior crise dos últimos 80 anos, as divergências ficaram nítidas no primeiro dia de reuniões.
Segundo fontes do governo brasileiro, os países ricos resistem às mudanças no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Mundial propostas pelos emergentes. Países como Brasil, Rússia, Índia e China reclamam que estão pagando a conta de uma crise criada no mundo desenvolvido.
Para enfrentar a situação, a China e o Reino Unido defenderam corte de juros. O Brasil sugeriu o aumento dos investimentos.
Como foi o dia
Do lado de fora, mantido à distância, um pequeno grupo de manifestantes protestou contra a crise. Dentro, o encontro entre os homens que comandam as economias dos principais países do planeta.
O G20 reúne os ministros de finanças e presidentes de bancos centrais das sete nações mais ricas do mundo, da União Européia e de outros 12 países, entre eles os grandes emergentes: China, Índia, Rússia e Brasil.
Palavra de anfitrião
O presidente Lula, como anfitrião, deu o tom da reunião: “Esse sistema (financeiro) ruiu como um castelo de cartas e com ele veio abaixo a fé dogmática no principio da não intervenção do estado na economia.”
O presidente defendeu a posição brasileira e dos países em desenvolvimento. Lula disse que o peso dos emergentes na economia mundial hoje é muito maior. Por isso, ele cobrou mudanças nos organismos financeiros internacionais para que esses países tenham mais poder nas decisões.
“É amplamente reconhecido que o G7 sozinho não tem mais condições de conduzir os assuntos econômicos do mundo. A contribuição dos paises emergentes é também essencial. Devemos revisar o papel dos organismos existentes ou criar novos de forma a fortalecer a supervisão e a regulação dos mercados financeiros”, afirmou ele.
Banco Mundial
No final da tarde, o presidente do Banco Mundial conversou com um grupo reduzido de jornalistas. Robert Zoellick disse que o G7, o grupo dos países mais ricos, não está funcionando para evitar ou administrar crises.
Ele defendeu uma ampliação do grupo com a inclusão dos chefes de estado dos grandes emergentes. O presidente do Banco Mundial afirmou ainda que a necessidade de se regulamentar o mercado é consenso, mas, como isso vai ser feito na prática, ninguém sabe.
Leia o discurso de Lula, na íntegra
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