G20 pretende adotar plano de ação contra a crise econômica

da France Presse, em Washington


Bush adverte que crise não será resolvida "em um dia"

Os líderes dos países do G20 (grupo que reúne os países mais ricos e os principais emergentes), reunidos em Washington, pretendem adotar neste sábado um plano de ação contra a crise mundial, que combina um reforço da vigilância e da regulação das finanças com um apoio da atividade econômica.

Segundo a Presidência francesa, os chefes de Estado e de governo do G20 vão concordar neste sábado em estimular a economia mundial e aplicar uma nova regulação do sistema financeiro internacional, além de programar um segundo encontro para abril. Assim, será possível fazer um "primeiro balanço" das decisões adotadas na reunião de cúpula até 31 de março.

Uma segunda reunião do G20 será organizada entre 31 de março e 30 de abril de 2009, provavelmente no Reino Unido, de acordo com informação revelada pelo chanceler brasileiro Celso Amorim. "O comunicado transmitirá mensagens positivas em três capítulos: apoio à economia, nova regulação internacional e reforma do governo mundial".

Os líderes, que iniciaram a reunião na noite desta sexta-feira, devem publicar um comunicado final de cinco páginas ao fim do encontro neste sábado, com o objetivo de conter a pior crise financeira desde a Grande Depressão dos anos 30. "Além do comunicado de cinco páginas, há um plano de ação detalhado com uma série de medidas e regras, ordenadas e com objetivos, com uma data fundamental, a de 31 de março de 2009", afirmou uma fonte da presidência francesa.

O comunicado destacará o compromisso dos países para executar esforços simultâneos, recorrendo a políticas orçamentárias e monetárias e apoiando o FMI (Fundo Monetário Internacional) e os bancos em desenvolvimento. "Não deixaremos nenhum país para trás", insistiu a fonte.

O presidente da Comissão Européia (órgão executivo da União Européia), José Manuel Durão Barroso, confirmou que os líderes do G20 estão perto de um consenso sobre a aplicação de uma regulação melhor e de mais vigilância do sistema financeiro e de suas instituições. "A crise tem demonstrado que existiam problemas de regulação e de vigilância. Temos que tratar destes problemas", declarou.

"Não digo que estamos de acordo em tudo, mas acredito que agora existe uma disposição maior para reformar os princípios das finanças mundiais e também para reformar, mais adiante, as instituições financeiras mundiais, a saber o Fundo Monetário Internacional", acrescentou.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou também nesta sexta-feira que a crise financeira mundial não será "resolvida em um dia". "Compartilhamos da mesma determinação para resolver os problemas que causaram estas turbulências. Dividimos a mesma convicção de que cooperando poderemos fazer com que a economia retome o caminho da prosperidade, a longo prazo".

"Este problema não se desenvolveu em apenas um dia e não será resolvido em um dia, mas sim com cooperação coordenada e determinação", disse Bush aos líderes do G20.

Bush destacou a necessidade de se reformar o sistema financeiro mundial e suas regras, e reafirmou os objetivos que, em sua opinião, deve ter esta cúpula sem precedentes na história, mas voltou a rebater as críticas à economia de mercado.

Os líderes do G20 devem analisar as causas da crise e as medidas adotadas até o momento, "identificar os princípios" da reforma, "implementar um plano de ação específico para aplicar estes princípios, e reafirmar nossa convicção de que os fundamentos da economia de livre mercado são o caminho mais seguro para uma prosperidade duradoura", destacou Bush.

Brasil e Argentina

Os presidentes de Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e Argentina, Cristina Kirchner, concordaram que a crise dos países ricos não deve se estender aos emergentes, revelou o chanceler argentino, Jorge Taiana, à margem da cúpula do G20. Lula e Kirchner insistiram no fato de que "a crise teve origem nos países desenvolvidos" e que os ricos não devem exportá-la "aos países em desenvolvimento", destacou Taiana.

"É preciso fortalecer a demanda, manter o consumo para evitar que a crise se amplie", opinou o chanceler. Os dois presidentes "concordaram em vários aspectos, e certamente em preservar o nível de atividade, em estimular a economia real", disse Taiana para resumir a postura dos países emergentes, representados na Cúpula de Washington por Brasil, Argentina e México. Pra o Brasil, o G20 deve analisar mecanismos para coordenar políticas fiscais e se tornar um foro permanente.

O objetivo geral da reunião deverá ser a busca de mecanismos para reduzir o custo do crédito e tornar o dinheiro mais disponível, explicaram os ministros das Relações Exteriores e da Fazenda, Celso Amorim e Guido Mantega, respectivamente. O Brasil insistirá na "importância de se relançar a economia mundial de forma coordenada", disse Amorim.

Mantega destacou que é preciso estabelecer um "programa de políticas monetárias, reduzindo as taxas de juros, aumentando o crédito e fazendo com que a liquidez chegue ao consumidor e ao produtor", isto acompanhado de um aumento de gastos do setor público.

Chávez

Governantes "vão perder tempo" na cúpula do G20, diz Chávez

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, questionou nesta sexta-feira a cúpula do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes) em Washington (EUA), argumentando que seu anfitrião, George W. Bush, é o maior responsável pela atual crise financeira global e tem pouco tempo de mandato pela frente.

Os principais líderes mundiais se reúnem para discutir possíveis alternativas para a reforma do sistema financeiro global. "O Grupo dos 20, que são os 20 países mais grandotes do mundo, começando pelos países ricos do mundo que estão em crise, vai se reunir em Washington. Na verdade, não entendo o que vão fazer em Washington. O anfitrião é o grande culpado", disse Chávez num comício.

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