
Commandos tackle besieged Mumbai hotels
NOVA DÉLHI - Um dia após os ataques terroristas em Mumbai, oficiais indianos lutavam contra extremistas armados em dois hotéis para resgatar dezenas reféns. Na manhã desta quinta-feira, 27, as forças especiais do Exército entraram no hotel Taj Mahal, libertaram várias vítimas e mataram todos os militantes, segundo as autoridades. Terminada a operação no Taj Mahal, o grupo tático se esforçava para soltar os reféns de outro hotel, o Oberoi Trident, onde era possível ver grandes focos de incêndios. De acordo com a rede CNN, aparentemente no fim da tarde desta quinta os oficiais já tinham o controle do hotel cinco-estrelas, onde entre 20 e 30 pessoas seguiam nas mãos dos terroristas e mais de 100 estavam presas nos quartos.
Os militares vasculhavam quarto por quarto no Oberoi para salvar os reféns, informa a CNN. Através dos telefones dos quartos, os oficiais indianos pediam aos hóspedes que acendessem as luzes e abrissem as cortinas para ajudar na operação. Os ataques coordenados contra sete pontos do centro financeiro da Índia de quarta-feira já deixou 125 mortos e 327 feridos, de acordo com as autoridades indianas.
Além disso, ainda há reféns em outros lugares. A embaixada israelense informou que pelo menos 10 cidadãos de seu país estão seqüestrados em Mumbai. Os reféns libertados não foram identificados. De acordo com o general indiano R. K. Huda, entre dez e 12 milicianos continuam mantendo reféns em hotéis de luxo de Mumbai e no centro judaico Jabad Lubavich. Os demais foram mortos ou capturados, disse ele a uma emissora de televisão de Nova Délhi.
O desconhecido grupo Deccan Mujahidin assumiu a autoria dos atentados em e-mails enviados a vários jornais e televisões. Segundo a polícia, durante os ataques eles usaram armas automáticas e dispararam indiscriminadamente.
Os hóspedes resgatados descreviam cenas chocantes. A atriz australiana Brooke Satchwell disse que escapou por pouco dos atiradores escondendo-se em um armário do banheiro. "Tiros eram disparados contra as pessoas no corredor. Havia alguém morto fora do banheiro", disse a atriz, tremendo, à televisão australiana. "Logo em seguida eu estava descendo as escadas correndo e havia um casal morto na escada. Era o caos."
Suspeitas
"Os ataques bem planejados e bem orquestrados, provavelmente com ligações externas, tinham como objetivo criar uma sensação de pânico, ao escolher alvos importantes e matar indiscriminadamente estrangeiros", disse o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, que culpou "forças estrangeiras" pelos atentados. Os homens chegaram de barco, na quarta-feira, e se espalharam para atacar os dois hotéis, a principal estação de trem da cidade, um hospital, um restaurante popular e um centro judaico.
O Paquistão, vizinho e inimigo histórico da Índia, alertou o governo indiano contra possíveis ligações de Islamabad com os incidentes em Mumbai, afirmando que a acusação "destruiria toda a boa vontade" entre os dois inimigos nucleares. Singh não se referiu diretamente ao Paquistão, país que já foi acusado anteriormente de cumplicidade em ataques anteriores, mas sua referência aos estrangeiros é um sinal de que a Índia suspeita da ligação neste plano.
Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Shah Mehmood Qureshi, que está em Nova Délhi para negociações de paz, declarou à uma rede de TV indiana que não se deveria culpar a ninguém até que a investigação sobre os ataques sejam concluídas. "Nossa experiência nos diz que não deveríamos nos apressar em nossas conclusões", continuou.
Índia e Paquistão travaram três guerras desde que se tornaram independentes do Reino Unido, em 1947. O governo indiano freqüentemente culpa os paquistaneses por ataques terroristas em seu país. Entre eles, um realizado em 2001 contra o Parlamento indiano, em Nova Délhi, cometido por militantes contrários ao governo indiano na região da Caxemira. O governo paquistanês negou envolvimento nos incidentes.
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