Resultado representa a maior queda em mais de 60 anos. Dados mostram também forte desaquecimento na construção civil.
O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) nos Estados Unidos caiu 1% em outubro ante setembro, informou nesta quarta-feira (19) o Departamento de Trabalho americano. É a maior queda desde fevereiro de 1947.
Em setembro, o índice ficou estável (0%). A queda no índice de preços ultrapassou a expectativa da maioria dos analistas, que previam baixa de 0,8%.
Outro indicador divulgado nesta quarta-feira foi referente à construção civil nos Estados Unidos. Com baixa de 4,5% em relação a setembro, o início de obras de construção de imóveis registrou 791 mil unidades em ritmo anual, seu nível mais baixo desde janeiro de 1959, anunciou o órgão do governo americano.
Além disso, 708 mil permissões de construção foram concedidas em outubro, 12% a menos do que no mês anterior. Esse é o menor nível desde o início da medição estatística, em janeiro de 1960.
No componente do índice que exclui alimentos e energia, itens considerados mais voláteis, o indicador cedeu 0,1% no mês passado, invertendo a direção apurada em setembro, de elevação de 0,1%.
O levantamento do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos mostrou que os preços da energia caíram 8,6% em outubro e os dos alimentos aumentaram 0,3%. Em setembro, houve declínio de 1,9% e avanço de 0,6%, respectivamente.
Um aumento da deflação é temido pelo mercado financeiro, porque em tempos de crise é reflexo de que a economia está desaquecida e as pessoas estão consumindo menos. Apesar disso, os dados divulgados nesta quarta foram considerados boa notícia por alguns analistas.
Para eles, a deflação de outubro sinaliza que o banco central dos EUA pode começar a baixar os juros para estimular o crescimento econômico e combater uma eventual recessão, sem se preocupar com pressões inflacionárias.
Para analistas consultados por agências internacionais, no entanto, a notícia da queda nos preços de outubro sinaliza bons tempos para o Federal Reserve, o banco central norte-americano.
Para David Wyss, economista-chefe da Standard & Poor's em Nova York, os números abrem o caminho para o Fed cortar os juros para estimular a economia, afetada pela crise financeira.
"Essa (deflação) é boa notícia para o Fed, porque diz que eles não precisam se preocupar com inflação, eles podem se concentrar apenas em combater a recessão."
Leia opinião de Míriam Leitão
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