A crise e o futebol

Ricardo Acampora

Por aqui, não se fala em outra coisa a não ser na crise financeira, que ameaça a todos com o poder destruidor de um tsunami.

O medo se espalha. As pessoas começam a temer o dia de amanhã, a próxima semana. Ninguém sabe o que vem pela frente, ninguém acredita em ninguém.

Não quero embarcar nessa onda de ficar temendo o pior. Não me sinto em crise, de nenhum tipo, pelo menos por enquanto. Mas confesso que não consigo parar de pensar nela.

Sei que, para domar o monstro, não posso fingir que o ignoro. Então, resolvi voltar a escrever sobre a crise. Mas escrever o que?

Em busca de inspiração coloquei no chão, na forma de um círculo, cartões com nomes de setores econômicos diversos. No meio do círculo, coloquei a garrafa de cerveja que tinha acabado de esvaziar enquanto pensava numa forma de escapar da crise, e girei-a.

O gargalo parou apontando para Futebol.

É, futebol por aqui é setor econômico, sim. Os clubes são sociedades de capital aberto, com ações na bolsa, são comprados e vendidos como qualquer empresa e, na maioria dos casos, são extremamente lucrativos.

Pensei que minha garrafa tinha encontrado um setor ainda imune à crise. Afinal, os clubes ingleses gastaram os tubos neste verão. De uma vez só, o Manchester City pagou mais de 50 milhões de dólares pelo Robinho e mais de 30 pelo Jô. O Chelsea trouxe o Felipão, o Deco, e por aí vai.

Mas foi só olhar mais de perto que comecei a perceber os primeiros sinais de que a megera já tinha causado estrago.

De cara, encontrei três times da primeira divisão do futebol inglês com a crise estampada em suas camisas.

Na última rodada, o West Ham United, aqui de Londres, entrou em campo com o nome do patrocinador coberto. A empresa, uma companhia aérea de baixo custo, tinha ido à falência. A culpada foi a crise.

A megaempresa seguradora AIG, que foi salva da concordata pelo governo dos Estados Unidos, tem seu logotipo gravado na camisa do clube mais rico do mundo, o poderoso Manchester United.

Os efeitos da crise ainda não ficaram aparentes nas finanças do ManU. Mas, mesmo que por acaso, o clube teve um dos piores começos de temporada dos últimos 10 anos.

O Newcastle United, time de grande torcida, do norte do país, é patrocinado pela primeira vítima da crise nas ilhas britânicas, o banco Northern Rock, que teve que ser nacionalizado pelo governo. Coincidência ou não, o clube esta à venda.

Quem estiver procurando onde colocar 515 milhões de libras pode fazer contato com o atual dono, que já divulgou o preço do negócio. Se não tiver dinheiro, faça uma proposta de compra a prazo, pode ser que ele aceite. Afinal, são tempos de crise.

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