Bush avalia dar imunidade a oficiais envolvidos em tortura

Agentes de inteligência que trabalharam no governo de George W. Bush estão pressionando o presidente a tomar providências para garantir que funcionários que seguiram suas ordens durante a guerra contra o terrorismo não sejam alvo de julgamentos. A informação foi publicada pelo jornal inglês "The Daily Telegraph".

Muitos temem que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, que já afirmou que poderá fechar Guantánamo, possa lançar uma "caça às bruxas" aos responsáveis pelas políticas adotadas contra prisioneiros na base militar, localizada em Cuba.

Os mais vulneráveis são os oficiais do serviço de inteligência dos Estados Unidos, que participaram de interrogatórios contra suspeitos de terrorismo usando técnicas de tortura. Um ex-oficial do serviço nacional de inteligência, a CIA, conta que o presidente Bush está sendo pressionado.

"Essas são pessoas que foram chamadas pelo presidente Bush para lutar na guerra contra o terrorismo. Ele deu a elas sinal verde para fazerem uma luta dura. A visão de muitos no serviço de inteligência é de que o presidente não deve deixar essas pessoas vulneráveis a censuras legais", afirmou a fonte. Segundo o jornal, a Casa Branca já estaria examinando uma forma de conceder imunidade a esses funcionários do governo.

Além dos encarregados do comando da CIA e militares, estariam em risco o ex-conselheiro do vice-presidente Dick Cheney, David Addington e William Haynes, ex-general do Pentágono, que teria ajudado a regulamentar as técnicas de interrogatório utilizadas durante o governo Bush. Integrantes do Partido Democrata e de grupos de defesa dos direitos humanos já pediram a Obama que reveja as atuais políticas no seu primeiro dia no comando da Casa Branca.

Detentos

Em reuniões nas últimas duas semanas, Obama foi informado pela CIA sobre o perigo que os prisioneiros em Guantánamo representam. Assessores de Obama consideraram a idéia de libertar alguns detentos, colocar outros para serem julgados pela Justiça comum, enquanto outros seriam enquadrados em uma nova categoria a ser criada para criminosos. Atualmente existem 255 prisioneiros na base militar, incluindo ex-seguranças de Osama bin Laden capturados no Afeganistão.

Integrantes do Partido Republicano apóiam a concessão das imunidades, alegando que o benefício facilitaria o trabalho da próxima gestão. Com a garantia, ficaria mais fácil descobrir o que foi feito nos últimos oito anos e implantar mudanças. "Se você quer que pessoas falem a verdade, a melhor forma é dar garantias legais. A imunidade não é a única forma de se fazer isso, mas se Bush fizer, vai livrar Obama de um problema político", afirmou o ex-oficial da CIA ao "The Daily Telegraph".

Nenhum comentário:

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails