Brasil realiza Conferência Internacional sobre Biocombustíveis

O Brasil sedia esta semana a Conferência Internacional sobre Biocombustíveis: Os biocombustíveis como vetor do desenvolvimento sustentável. O evento, que será realizado 17 e 21 de novembro, em São Paulo, vai reunir representantes de quase 50 países, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, e especialistas do governo e do setor. Eles vão debater a experiência brasileira de quase 35 anos na produção e utilização do etanol.

Um dos objetivos da conferência, segundo o Ministério da Agricultura, é contribuir para a discussão internacional sobre os desafios e oportunidades gerados pelos biocombustíveis. Atualmente, a cana-de-açúcar, tem seu plantio ocupando menos de 1% do território nacional e representa cerca de 16% da matriz energética brasileira. Cerca de 57% da produção de cana é consumida com a fabricação de etanol.

Segundo o ministro Reinhold Stephanes, o Brasil foi o país que mais cresceu na produção agrícola nos últimos sete anos e deve manter seu posto. "No prazo de 15 anos devemos manter uma condição favorável de crescimento na produção agrícola para o consumo interno de alimentos, energia limpa e exportação". O ministro acredita que durante esse período não haverá competição entre alimentos e bionergia na agricultura nacional, como ocorre com o milho nos Estados Unidos.

A conferência será dividida em duas partes. Uma com cinco sessões plenárias abertas ao público, nos dias 17, 18 e 19, e outra intergovernamental, nos dias 20 e 21, com a participação de autoridades do poder executivo. Segurança energética, produção sustentável, agricultura e processamento industrial, especificações técnicas, comércio internacional e mudanças climáticas também serão temas em debate.

Dados da Secretaria de Produção e Agroenergia (SPAE), do Ministério da Agricultura, mostram que os investimentos vindos de fora do país já atingem 15% do total de recursos aplicados nos setores industriais do açúcar e do álcool brasileiros. A frota de veículos flex fuel já ultrapassa os seis milhões de unidades e o consumo de etanol já é maior que o de gasolina no Brasil. A previsão é de que sejam investidos, até 2012, R$ 30 bilhões na instalação de novas indústrias produtoras de etanol no território nacional.

BNDES lança livro para divulgar etanol brasileiro no mundo

Bioetanol de cana-de-açúcar? Energia para o desenvolvimento sustentável. Esse é o título do livro que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lança nesta segunda-feira (17/11), na abertura do Seminário Internacional sobre Biocombustível, em São Paulo.

O objetivando da obra é tornar o etanol brasileiro mais conhecido no mundo, vencer a barreira de desconfiança que ainda cerca o produto no que diz respeito a aspectos diversos da cadeia produtiva, e servir de subsídio para a abertura de um diálogo internacional no sentido de construir um mercado mundial de biocombustíveis, especificamente o etanol da cana-de-açúcar.

O livro é uma compilação didática das principais características do etanol brasileiro, suas vantagens econômicas, sociais e ambientais e as diferenças entre o produto brasileiro, derivado da cana, o norte-americano, extraído do milho, e o europeu, retirado da beterraba e do trigo.

Para o chefe de Departamento da Área de. Planejamento do BNDES, Paulo de Sá Campello Faveret Filho, o livro foi o modo encontrado pelo governo federal para vencer a desconfiança que ainda cerca o etanol brasileiro em alguns países, principalmente por causa da desinformação.

Segundo Campello, a obra apresenta de maneira coerente, e muito consistente, o etanol para leigos, especialmente estrangeiros.

"Nossa intenção é que ele ajude a eliminar uma parte da desinformação que existe e a consolidar o produto como uma commodity energética de primeiro nível".

O autor do livro, o professor Luiz Augusto Horta Nogueira da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), destaca que a desinformação sobre o etanol não é gratuita.

"As empresas que estão bem, do ponto de vista da energia e a exportam para o mundo, sempre colocaram obstáculos ao uso do etanol. Mas é hoje transparente que vários países podem reduzir as suas importação de combustíveis e dinamizar a sua economia apenas substituindo os derivados fósseis (petróleo, carvão e derivados) por produto local proveniente da cana, gerando emprego e renda.

Para ele, o problema é que além de enfrentar a barreira de países poderosos, como os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), é necessário produzir etanol em bases não-sustentáveis. O etanol que é produzido na Itália, na Alemanha, usa o trigo como matéria prima e isto afeta diretamente a produção de alimentos. Outros usam a beterraba, o milho e não a cana.

A proposta do governo, tendo como ponta de lança o BNDES, é promover no início do próximo ano um road show (evento itinerante) para levar informações sobre o etanol a pelo menos quatro grandes blocos continentais: América do Norte, América Central e Caribe, América do Sul e Europa.

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