Banco Privado Português está a negociar venda

Diário de Notícias ( Lisboa )

O Banco Privado Português (BPP) está a negociar a venda de activos a outra instituição bancária. Contactado pelo DN, o presidente do conselho de administração, João Rendeiro, não quis comentar esta informação avançada ontem ao fim do dia pelo Jornal de Negócios Online, citando fonte interna do banco, mas, mais tarde, em entrevista à SIC Notícias, admitiu a entrada de novos accionistas no capital do banco. "Não é uma questão de ser comprado [o BPP], mas sim de trocas de participações", disse. De resto, o banqueiro considerou inevitável um processo de consolidação no sector bancário para fazer face à mais grave crise dos últimos 70 anos.

O BPP é um dos bancos que mais dificuldades estão a enfrentar na actual crise de liquidez no sistema financeiro. Segundo apurou o DN, um dos seus principais clientes retirou, recentemente, investimentos e depósitos no valor de 20 milhões de euros, fechando as suas contas no banco. O BPP tem investido em participações minoritárias em empresas cotadas, que perderam muito valor em bolsa.

Rendeiro adiantou ainda que o seu banco vai recorrer ao aval do Estado para contrair um empréstimo de 750 milhões de euros, mas fez questão em salientar que não será o primeiro a fazê-lo: "[o primeiro] será provavelmente a Caixa, até porque, sendo a primeira emissão, cria um 'benchmark' para o mercado".

Diogo Vaz Guedes, que representa um dos accionistas de referência do BPP, afirmou ao DN desconhecer qualquer iniciativa no sentido da venda do banco. O empresário manifestou ainda "estranheza", pela notícia da alienação, uma vez que é administrador não executivo da holding que controla o banco. A família Vaz Guedes controla cerca de 5,8% do banco através da Sofip. Já Francisco Pinto Balsemão, o maior accionista individual, limitou-se a dizer: "Faça favor de contactar o conselho de administração", quando questionado pelo DN sobre se o processo de venda.

De acordo com o Jornal de Negócios Online, existem várias opções em aberto, sendo uma delas a sua incorporação pelo BCP. Uma hipótese desmentida ao DN por fonte oficial da instituição presidida por Santos Ferreira.

Na semana passada, a agência de classificação de dívidas Moody's baixou a sua avaliação sobre a solidez financeira do grupo, alertando para os riscos relacionados com a concentração de créditos da instituição. A nova avaliação traduz a imediata necessidade de liquidez, devido à maior pressão existente sobre uma actividade muito dependente do mercado de capitais.

BPP está "sob pressão acrescida", diz Moody's

A agência de classificação de dívidas reduziu a avaliação que faz da qualidade do crédito do banco

Uma das entidades responsáveis por avaliar a solidez das empresas - a Moody's - considera que o Banco Privado Português (BPP) está "sob pressão acrescida" tendo em conta o seu actual modelo de negócio. No entanto, sublinha que esse risco pode ser "mitigado pela relação próxima que o banco tem com os seus clientes".

Numa nota publicada ontem, os analistas da Moody's sublinham que o banco enfrenta "desafios adicionais" para "manter o modelo de negócio que está fortemente dependente da evolução dos mercados de capitais". Como tal, decidiram reduzir a sua classificação D+ para D, em termos de solidez financeira. E baixaram de Baa3 para Ba2 a avaliação sobre a sua capacidade para cumprir com os compromissos de dívida de longo prazo. Esta nota está exactamente a meio de uma escala de nove níveis que varia entre a classificação de Aaa e a de C.

Mas o BPP pode ainda ser alvo de novas desclassificações, dependendo da "evolução do perfil de financiamento do banco e das pressões de liquidez que possa sofrer". Mas também de acordo com "o impacto na rentabilidade do banco dos seus investimentos em produtos estruturados de crédito, derivados, crédito a capital de risco" ou na sequência da "reavaliação em curso de todos os riscos associados ao crédito dado a sociedades relacionadas".

Refira-se que a Moody's baseou a revisão em baixa da nota sobre o BPP na "elevada concentração" dos riscos de crédito, do rácio ganhos/perdas num reduzido número de negócios e depósitos, no facto de o rácio de solvabilidade (15,4%) não reflectir totalmente o risco do mercado onde opera e no seu posicionamento de risco, dada a sua "baixa transparência".

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