Entenda os desafios políticos, econômicos e sociais que vão ocupar o próximo presidente dos Estados Unidos
Inexperiência
Durante a campanha dos republicanos, McCain sempre ressaltou a falta de experiência do candidato democrata. Os recorrentes ataques levaram Obama a optar pelo senador Joe Biden, de indiscutível experiência em política externa acumulada em mais de três décadas no Senado, para vice-candidato. Na área econômica, o democrata montou uma boa equipe, que tem apresentado estratégias razoáveis para administrar a crise.
Educação e Saúde
Obama tinha o projeto de ampliar o atendimento médico gratuito e defendeu a oferta aos cidadãos o mesmo tipo de cobertura que os parlamentares americanos recebem. A campanha havia originalmente reservado cerca de US$ 65 bilhões para o projeto, mas deve mudar seus planos por causa da crise. Obama reconhece que é necessário maior controle dos gastos, mas garante que aumentará os investimentos em educação.
Imigração
Senador por Illinois, um Estado com alta representação de hispânicos, Obama afirmou seu desejo de fortalecer a prosperidade no México, um "grande aliado dos EUA" e influente parceiro comercial na região. Obama defende o aumento do controle das fronteiras e a implementação de um sistema que permita a empregadores verificar o status legal de seus empregados. "Precisamos trazer à luz as 12 milhões de pessoas sem documentos. Precisamos ser realistas quanto ao fato de que eles estão aqui."
Crise
Quando Bush assumiu o poder, em 2001, herdou um superávit de US$ 651 bilhões, mas vai deixar o orçamento com déficit recorde de US$ 438 bilhões, sem levar em consideração o pacote de US$ 700 bilhões. Obama considera que reformas de longo alcance serão necessárias para proteger cidadãos e empresas americanos. Obama deixa claro que a estrutura fiscal precisa ser modificada para se tornar mais justa. Isso significa que os ricos terão de pagar mais.
Células-Tronco
Poucos setores tem tanto a ganhar quanto o das companhias norte-americanas de células tronco, que há muito tempo se queixam das leis federais que limitam os investimentos para pesquisa de células-tronco de embriões. Obama afirmou que suspenderia o veto imposto pelo atual presidente, George W. Bush, ao financiamento público desse tipo de pesquisa, a qual avalia ser crucial para o desenvolvimento da medicina.
Aquecimento Global
Obama tem um projeto de investir cerca de US$ 150 bilhões no prazo de 10 anos para acelerar o desenvolvimento de carros híbridos e oferecer energia renovável em escala comercial. O apoio do maior combatente do aquecimento global, o ex vice-presidente dos EUA Al Gore, dá mais crédito as promessas de Obama.
Terrorismo
A violência do Taleban se intensificou no Afeganistão, com novos ataques terroristas. Ao mesmo tempo, o Paquistão, principal aliado da guerra ao terror na região, sofre com atentados e com a presença de militantes do Taleban e da Al-Qaeda na região de fronteira com o Afeganistão. Para complicar, há o temor de que a Al-Qaeda consiga ter acesso a armas nucleares do país. "Precisamos terminar a guerra no Iraque e mandar mais tropas para o Afeganistão", diz Obama, que promete "matar Bin Laden".
Irã
O Irã é considerado o maior inimigo de Washington e está, segundo analistas, próximo de construir uma bomba atômica. Mesmo com a ameaça, Obama acredita que os EUA devem estabelecer um canal de negociações, mas propõe um conjunto de condições prévias para o início dos diálogos. Para o novo presidente, a atual situação do Irã é fruto direto da guerra do Iraque. Durante a campanha, McCain acusou Obama de ingenuidade ao pensar que pode ser útil conversar diretamente com o Irã a respeito do programa nuclear.
Iraque
Por um lado, no campo doméstico, os americanos estão cansados dessa guerra, que já dura mais do que as duas grandes guerras mundiais. De outro lado, há a rejeição do mundo árabe ao que parece ser um novo colonialismo ocidental. "Sob meu comando, começaremos a retirada das tropas imediatamente", afirmou Obama. A principal meta do Partido Democrata é estabelecer um cronograma para a retirada dos soldados norte-americanos do Iraque, o que liberaria parte do contingente militar para atuar contra militantes islâmicos no Afeganistão.
Israel
Israel tem acordos de paz com o Egito e a Jordânia, mas ainda é visto pela maior parte de seus vizinhos como o principal provocador de instabilidade no Oriente Médio. O processo de paz com os países árabes pode diluir um pouco a tensão nesta frente que foi deixada de lado por Bush até o último ano de seu mandato, quando já era tarde. Obama se diz abertamente pró-Israel e defende a criação de um Estado palestino ao lado de Israel, sem especificar quais seriam as fronteiras dos dois países.
Rússia
Desde a invasão da Geórgia, Obama e seu vice enfatizam o auxílio à Geórgia na reconstrução da sua economia e na conservação da sua independência. Mesmo após a indignação provocada pelos eventos, há temas de interesse comum - energia, mudança climática e Irã -, sobre os quais o Ocidente e o Kremlin terão de cooperar.
Europa
A recente ascensão de novas potências favorece uma aliança transatlântica ainda maior entre Europa e EUA. Os europeus têm um alinhamento militar mais próximo de Obama do que de George W. Bush. Recebido em Berlim por 200 mil pessoas em julho, Obama era o candidato com maior apoio da opinião pública no continente. Entre os possíveis cenários de discórdia entre Europa e EUA está, por exemplo, o agravamento das tensões com o Irã. Um ataque de Israel a Teerã pode expor as diferenças em relação à política para o Oriente Médio.
América Latina
Obama falou pouco de América Latina durante a campanha. Propôs sua política para o hemisfério uma única vez, em um discurso para cubanos exilados na Flórida. "Devemos buscar uma era de relações baseadas em entendimento mútuo e no respeito pela soberania de cada país", afirmou na época. Este distanciamento pode fortalecer o processo de integração latino-americana, capitaneado pelo Brasil. A questão é se os EUA vão trabalhar com o Brasil e tirar vantagem disto, ou apenas deixar o país tomar conta da América Latina
Nenhum comentário:
Postar um comentário